OMS precisa de 18,9 milhões para apoiar afectados pelas cheias em Moçambique – O País

A Organização Mundial da Saúde (OMS), através do ‘cluster’ de saúde, precisa de 21,5 milhões de dólares para apoiar os quase 539 mil afectados pelas recentes chuvas no Sul e Centro de Moçambique.

Moçambique continua a enfrentar uma complexa crise humanitária caracterizada pelos impactos sobrepostos dos choques climáticos e dos conflitos armados, que afectam significativamente a saúde e o bem-estar das populações vulneráveis”, lê-se num boletim do ‘Cluster’ de Saúde de Moçambique, liderado pela organização das Nações Unidas, citado pela Lusa.

De acordo com a mesma publicação, em 2026 as cheias nas províncias do Centro e do Sul resultaram na movimentação de trânsito, danos nas infra-estruturas de saúde e um aumento do risco de surtos de doenças transmitidas pela água, interrompendo a continuidade dos serviços de saúde essenciais.

O `cluster´ de saúde estima que cerca de 619 627 pessoas afectadas pelos eventos climáticos extremos em Moçambique precisam de ajuda, daí que, adiantau, foi lançado um plano de resposta humanitária às cheias que prevê apoiar quase 539 mil pessoas através de um financiamento de cerca de 21,5 milhões de dólares.

“Para a adenda ao plano de resposta humanitária às cheias de 2026, o núcleo da saúde responderá a três objectivos e, a partir destes, serão monitorizados 15 indicadores que reflectem as actividades que, até ao fim do ano, abrangerão um total de 538 725 beneficiários, de um total de 619 627 pessoas carenciadas, em 18 distritos de Gaza, Sofala, Maputo e na Cidade de Maputo”, explica-se.

Além da crise climática, aquele organismo humanitário internacional alerta ainda que Moçambique enfrentou, ao mesmo tempo, uma insegurança armada na província de Cabo Delgado, Norte do País, que continua a provocar deslocações e a exercer uma pressão adicional sobre sistemas de saúde “já frágeis”.

De acordo com o documento, em Cabo Delgado, província rica em gás e alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado a 05 de outubro de 2017, as necessidades humanitárias mantêm-se elevadas, sendo prioritárias a prestação de cuidados de saúde primários, serviços de emergência, apoio à saúde mental e assistência aos deslocamentos e às comunidades de acolhimento.

“Neste contexto, os parceiros do `cluster´ da Saúde tiveram uma resposta coordenada para garantir a prestação de serviços de saúde essenciais, com foco em abordagens integradas, incluindo clínicas móveis, resposta a surtos, serviços de saúde sexual e reprodutiva, água, saneamento e disciplinas de higiene”, explica-se, alertando-se, no entanto, que persistem ainda “desafios incluídos” no apoio humanitário, particularmente no acesso e disponibilidade de recursos, além da necessidade de reforçar os mecanismos de monitorização e encaminhamento das crises.

A 2 de Abril, a OMS, através do ‘cluster’, avançou precisa de 16 milhões de dólares neste ano, para apoiar um total de 409 968 pessoas no Norte de Moçambique.

Num boletim divulgado na altura referia-se que entre os principais indicadores para o Plano de Resposta Humanitária da organização para o país se espera alcançar até ao fim do ano, 409 968 beneficiários, do total de 488 967 pessoas carenciadas em 18 distritos das províncias de Nampula, Niassa e Cabo Delgado, no Norte do País.

O número de mortos na actual época das chuvas em Moçambique subiu para 289, passando ainda um milhão de pessoas afectadas, desde Outubro, segunda nova actualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

Só as cheias de Janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afectando globalmente 715 716 pessoas. Já a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, a 13 e 14 de Fevereiro, matou mais quatro mortos e afectou 9040 pessoas, segundo dados do INGD.

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