O veterano da Luta de Libertação Nacional, Óscar Monteiro, diz que a reconciliação no país não é feita e considera que as oposições étnicas são tratadas como partidos. Monteiro, que esta segunda-feira foi orador da aula magna sobre a vida e obra de Samora Machel, desafia a nova geração a resolver o problema.
Monteiro foi a figura escolhida para falar da vida e obra de Samora Machel como um intelectual revolucionário, no contexto do Dia de África. Passados 40 anos após a morte do primeiro presidente de Moçambique, Monteiro tocou em aspectos sensíveis que na sua opinião dominaram a visão de Samora, sobretudo a reconciliação.
O veterano da Luta Armada de Libertação Nacional alerta que o país recorre aos mecanismos nacionais e internacionais para tratar oposições que existem entre os grupos étnicos no país como oposição, o que segundo ele não faz sentido.
Segundo ele, o corpo dos partidos fez o país ganhar tempo, mas as razões da guerra não foram resolvidas. Nesse sentido, Monteiro aponta os possíveis caminhos para a resolução desses problemas, que segundo ele desativar muita delicadeza, sob o risco de se abrir espaço para novas divisões no país.
“Fica a glória de Samora por ter pensado em todos esses problemas. Fica a necessidade de uma nova geração resolver todos esses problemas não resolvidos”, desafia Óscar Monteiro, que explica que esses problemas não podem ser resolvidos com pressa.
“Não são problemas que devem ser tratados em praça pública. Se calhar nem em uma década ou duas se podem resolver, mas devem ser resolvidos, pois do contrário as novas riquezas serão fontes de novas divisões”, alerta.
Óscar Monteiro partilhou ainda a postura de Samora Machel sobre aquilo que chama de perigos do poder, defendendo que o Estado não se deve demitir do papel de reduzir as desigualdades no país.
Falando em nome da família, o filho de Samora, Samora Machel Jr. destacou como qualidades de liderança do primeiro de Moçambique, que na sua opinião até aos dias de hoje serve como lição para as várias gerações.
O Evento, organizado pela Fundação Samora Machel, contou com a presença do Presidente da República, Daniel Chapo, familiares e figuras ligadas à política do país.